Cap. 8 APRENDIZAGEM
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
 argumentar a respeito da importncia da aprendizagem na vida do homem;
 conceituar aprendizagem e explicar o conceito formulado
 nomear, explicar e exemplificar os tipos de aprendizagem estudados
IMPORTNCIA DA APRENDIZAGEM
A aprendizagem  um dos temas mais estudados pela Psicologia. A razo deste interesse 
em investigar o processo de aprender  clara: praticamente todo o comportamento humano 
 aprendido.
No devemos pensar, entretanto, que  s o ser humano que aprende. Sabe-se hoje que 
todas as formas mais organizadas de vida animal aprendem, mas a importncia da 
aprendizagem  maior quanto mais evoluda a espcie.
O nmero de comportamentos instintivos que garante a sobrevivncia  cada vez menor  
medida que se ascende na escala evolutiva.
Assim, apesar dos animais mais inferiores tambm aprenderem, suas aprendizagens so de 
pequeno ou nenhum valor de sobrevivncia. Esta lhes  garantida pelas reaes inatas de 
que  dotada a espcie.
O homem  a espcie animal mais evoluda e, como tal,  a que possui o menor nmero de 
comportamentos inatos, fixos e invariveis. Por isso,  o homem o animal mais dependente 
da aprendizagem para sobreviver.
Precisamos aprender praticamente tudo: vestir, comer, andar, falar, etc. A lista de reaes 
aprendidas no ser humano  quase interminvel e nela poderiam ser includos, como 
exemplos, os comportamentos de dar bom dia, andar de bicicleta, gostar de pudim, 
atitudes raciais preconceituosas, ideais de vida, etc.
Comeamos a aprender antes mesmo de nascer e continuamos a faz-lo at a morte.
 a capacidade de aprender que toma possvel s geraes tirar proveito das experincias e 
descobertas das geraes anteriores, acrescentar sua prpria contribuio e, assim, 
promover o progresso.
Apesar disto,  um engano pensar que a aprendizagem leva, invariavelmente, a um 
crescimento pessoal ou social. No aprendemos somente os comportamentos que nos 
tomaro melhores, mais capazes ou mais felizes. Tambm aprendemos comportamentos 
inteis ou prejudiciais como fumar ou ingerir drogas.
Resumindo, afirmamos com Campos (1976, p. 8), que a aprendizagem leva o indivduo a 
viver melhor ou pior, mas indubitavelmente, a viver de acordo com o que aprende.
COMPORTAMENTO APRENDIDO X COMPORTAMENTO INSTINTIVO
Comportamento instintivo  concebido como aquele comportamento complexo, universal, 
uniforme para cada espcie, de aparecimento sbito, no requerendo treinamento ou 
aprendizagem prvia e tendo valor de sobrevivncia.
Trata-se, pois, de um comportamento previsvel pelo simples fato de se estar lidando com 
uma determinada espcie. Ele se distingue do comportamento reflexo porque este ocorre 
num grupo especfico de efetores e  evocado pela estimulao de receptores especficos. 
So exemplos de respostas reflexas: contrao da pupila pela projeo de luz sobre a retina, 
secreo salivar pela presena de cido na boca, movimento de preenso da mo do recm-
nascido pela estimulao da palma da mo, dentre outros.
O comportamento instintivo, por outro lado, no depende, em geral, de receptores 
especficos e promove a ao de grande parte dos efetores de todo o organismo. So 
exemplos de comportamento instintivo: o comportamento maternal da rata, o tecer da teia 
pela aranha, a construo dos ninhos pelos pssaros, etc.
Em suma, a resposta reflexa  um processo local e o comportamento instintivo envolve o 
organismo no seu total.
Quanto mais baixa estiver uma espcie na escala animal, mais fixo e estereotipado  o 
comportamento instintivo.
Em geral, considera-se o comportamento adquirido (aprendido) como relativamente 
independente da hereditariedade e o comportamento no adquirido (instintivo) como livre 
de qualquer aprendizagem.
Esta oposio, apesar de ser til, talvez seja rgida demais.
A hereditariedade, por si prpria, no pode produzir nenhum comportamento, assim como 
no h aprendizagem sem as estruturas orgnicas herdadas. (Ver cap. 11)
No homem,  realmente difcil encontrar exemplos de comportamentos instintivos assim 
como foram definidos no incio deste item. Os autores costumam citar o choro do recm-
nascido, mas pode-se considerar alguns outros, como o medo de estranhos pelo beb, como 
no aprendidos. No entanto, este ltimo comportamento, alm de no ser estereotipado em 
toda a espcie,  dependente de uma aprendizagem anterior. Ele s ocorre depois da criana 
ter aprendido a reconhecer os familiares, apesar de no requerer aprendizagens provindas 
de experincias desagradveis com estranhos.
De qualquer forma, continua sendo vlida a afirmao bsica de que, para o ser humano, a 
aprendizagem desempenha um papel mais importante do que para qualquer outra espcie 
animal, de forma que, se o homem no tivesse a capacidade de aprender, no teria 
condies de sobrevivncia.
CONCEITO DE APRENDIZAGEM
Ao estudar o tema da aprendizagem, vamos nos deparar com um problema: a questo da 
sua definio.
No entender de Edwards (1973, p. 158)  impossvel uma definio precisa e abrangente 
de um termo to amplamente usado quanto aprendizagem.
A verdade  que a cincia no foi capaz de responder a uma pergunta bastante simples: o 
que acontece no crebro de uma pessoa quando ela aprende alguma coisa? Supe-se que 
deva haver uma modificao qualquer no sistema nervoso, cuja natureza no foi 
esclarecida.
Assim, pela impossibilidade de observao direta, a aprendizagem  constatada e estudada 
indiretamente, atravs de seus efeitos sobre o comportamento.
Para conceituar aprendizagem, portanto,  preciso referir-se s suas conseqncias sobre a 
conduta. A aprendizagem promove uma modificao no comportamento. Quando algum 
aprende alguma coisa, seu comportamento fica alterado em algum aspecto, mesmo que a 
mudana no se evidencie imediatamente.
No entanto, no  s a aprendizagem que provoca alteraes na conduta. Outros fatores 
como a maturao, os comportamentos inatos ou simples estados temporrios do organismo 
como leses, ingesto de drogas, fadiga, etc., tambm o fazem.
Por isso, definir aprendizagem simplesmente como uma mudana no comportamento, no  
satisfatrio.
A maioria dos estudiosos estabelece dois critrios para ajudar a discriminar as mudanas de 
comportamento promovidas pela aprendizagem daquelas que no o so: devero ser (a) 
relativamente duradouras e (b) devidas a alguma experincia ou treino anterior.
Por relativamente duradouras entende-se que as mudanas no devero ser 
necessariamente permanentes, mas de alguma durao. Este critrio elimina as alteraes 
devidas a leses (como o mancar por ter torcido o p), a drogas (como a reao retardada 
a estmulos por ingesto de tranqilizantes), a fadiga (como a eficincia diminuda pelo 
trabalho excessivo), ou a outros estados transitrios do organismo.
O segundo critrio, experincia ou treino anterior, elimina as mudanas no 
comportamento devidas  maturao ou tendncias inatas de resposta, (como o voar dos 
pssaros ou o choro do recm-nascido), j que uma de suas caractersticas  justamente o 
aparecimento sbito, a falta de treinamento anterior.
A definio de Morgan (1977, p. 90) resume o que tentamos colocar at agora: A 
aprendizagem  qualquer mudana relativamente permanente no comportamento, e que 
resulta de experincia ou prtica.
TIPOS DE APRENDIZAGEM
 procedimento comum entre os autores propor o estudo da aprendizagem em vrias 
categorias ou formas.
Qualquer classificao , sem dvida, artificial, mas serve ao propsito de facilitar a 
compreenso do tema.
Sawrey e Telford (1976) classificam a aprendizagem nos seguintes tipos bsicos:
 condicionamento simples
 condicionamento instrumental ou operante 
-   ensaio-e-erro
 imitao
 discernimento ou insight
 raciocnio
A lista foi organizada em ordem crescente de complexidade e as formas mais complexas de 
aprendizagem podem incluir as mais simples.
Aprendizagem por Condicionamento Simples
Tambm chamada condicionamento clssico, associao simples, resposta 
condicionada, ou reflexo condicionado, esta forma de aprendizagem foi estudada pela 
primeira vez por Ivan P. Pavlov (1849-1936).
Este notvel fisiologista russo estava interessado em descobrir princpios do funcionamento 
das glndulas salivares e usava, em suas experincias, ces. A observao de um fato 
singular mudou a direo do interesse do cientista. Pavlov observou que a boca do animal 
ficava cheia de saliva no apenas  vista e cheiro do alimento, mas tambm na presena de 
outros estmulos associados a ele, como o som de passos fora da sala, na hora da 
alimentao.
Concluiu que o reflexo salivar, provocado normalmente pela presena do alimento na boca, 
tambm podia ser eliciado por outros estmulos (visuais, olfativos ou auditivos) que 
precediam ou acompanhavam o alimento.
Comeou, ento, a relacionar o alimento a outros estmulos, originalmente neutros quanto  
capacidade de provocar a salivao, como a luz de uma lmpada ou o som de uma 
campainha.
Verificou que, se o alimento fosse muitas vezes precedido destes estmulos, o co passaria a 
salivar tambm na sua presena. A esta reao, Pavlov denominou reflexo condicionado.
Os psiclogos, posteriormente, passaram a preferir a expresso resposta condicionada, 
uma vez que este tipo de aprendizagem no se limita s aos comportamentos reflexos.
Esquematicamente, e usando-se como exemplo o estudo de Pavlov, a aprendizagem por 
condicionamento simples se d da seguinte maneira:
Antes do condicionamento:
Alimento (est. No-condicionado) ENC        ? (provoca, elicia)                 Salivao (resp. 
no-condicionada) RNC
Durante o condicionamento:
Apresentam-se muitas vezes os dois estmulos simultaneamente, ou o estmulo neutro 
imediatamente antes do ENC.
som da campainha (est. neutro)
alimento (ENC)        ?        salivao (RNC)
Depois de estabelecido o condicionamento:
Som da campainha (agora chamado de est. cond.) EC        ?        Salivao (agora 
chamada de resp. cond.) RC
Diz-se, ento, que o animal aprendeu a responder a um estmulo, j que, anteriormente, este 
estmulo no provocava tal resposta.
Pode-se apresentar outros exemplos de aprendizagem por condicionamento. Um exemplo 
do cotidiano, tambm com ces, pode ser:
o co nos v (est. neutro)
recebe um pontap (ENC)                ?                foge (RNC)
Depois:
o co nos v (EC)                ?                foge (RC)
A extino de um comportamento aprendido por condicionamento simples se d quando o 
E C for dissociado do E N C, isto , quando for apresentado muitas vezes sem ser 
acompanhado do estmulo que provoca naturalmente a resposta. O co de Pavlov deixou de 
salivar ao som da campainha, quando este som nunca mais foi acompanhado da carne.
A aprendizagem por condicionamento no ocorre apenas com animais. Muitas 
aprendizagens humanas se do por este processo. Assim, como exemplo, um 
condicionamento de medo:
o menino v um rato branco (est. neutro)
ouve um rudo alto e surdo (ENC)        ?        medo, afasta-se (RNC)
Depois:
O menino v um rato branco (EC)        ?        medo, afasta-se (RC)
Este esquema refere-se ao conhecido experimento de Watson e Rayner em 1920, com o 
menino chamado Albert, de 11 meses.
Albert, depois de ter aprendido a temer a simples viso do rato branco, passou a temer 
tambm outros objetos e animais peludos, at mesmo uma barba branca de homem.
Esta passagem da resposta condicionada para outros estmulos parecidos em algum aspecto 
com o EC original, chama-se generalizao da resposta condicionada.
 comum o fenmeno na vida diria. Uma criana que  mordida por um co e por isso 
passa a tem-lo, provavelmente aprender a temer todos os ces.
Da mesma forma, a criana que recebe injees intramusculares dolorosas, por uma figura 
feminina vestida de branco (enfermeira) poder adquirir averso ou medo por pessoas 
vestidas de branco ou por figuras femininas ou apenas por qualquer figura feminina vestida 
de branco (como a professora, no primeiro dia de aula).
A associao pode se dar, tambm, entre o estmulo doloroso e a viso da seringa, ou a 
simples viso de ambulatrios.
A associao do ENC pode, ento, se dar com quaisquer objetos, pessoas ou aspectos da 
situao presentes no momento ou imediatamente antes da apresentao do ENC e a 
generalizao pode se estender a quaisquer objetos, pessoas, situaes que tenham algo em 
comum com o EC.
 fcil concluir que o condicionamento  um tipo muito comum de aprendizagem.
 provavelmente o condicionamento o responsvel por muitos de nossos gostos, temores, 
simpatias ou antipatias, aparentemente irracionais, pois o condicionamento ocorre, em 
grande parte, sem que o aprendiz tome conscincia do processo.
A pessoa que sente um grande medo de falar em pblico, provavelmente, j foi vtima de 
uma ou vrias situaes em que o falar em pblico foi associado a um acontecimento 
desagradvel.
A menina que teve freqentes experincias desagradveis no relacionamento com seu pai 
(porque era um alcolatra, por ex.), pode generalizar, mais tarde sua resposta emocional de 
averso a todos os homens, ou a figura de autoridade (o pai  uma figura de autoridade) ou 
ainda, apenas aos homens de caractersticas fsicas semelhantes s de seu pai.
Pode-se perceber a importncia, na vida humana, do efeito de centenas de associaes 
incidentais, de centenas de condicionamentos e suas generalizaes.
Sentimentos positivos, provenientes de uma atmosfera geral do lar e da escola, podem se 
generalizar a ponto de conceber-se as pessoas como boas e amigas, a ponto de promover a 
auto-aceitao e o otimismo. O contrrio se daria a partir de uma atmosfera geral 
promovedora de sentimentos negativos.
Aprendizagem por Condicionamento Operante ou Instrumental
Assim como o nome de Pavlov est ligado  teoria do condicionamento clssico, o nome de 
B. F. Skinner, psiclogo americano, nascido em 1904, liga-se aos conhecimentos sobre o 
condicionamento operante.
Skinner fez, inicialmente, uma distino entre dois tipos de comportamento: aquelas 
respostas eliciadas por um estmulo especfico (como o RNC e RC do condicionamento 
simples) e aquelas que so emitidas sem a presena de estmulos conhecidos. Ao primeiro 
tipo de respostas, Skinner chamou respondente e ao segundo operante.
O comportamento respondente  automaticamente provocado (eliciado) por estmulos 
especficos como, por ex., a contrao pupilar mediante uma luz forte.
O comportamento operante, no entanto, no  automtico, inevitvel e nem determinado 
por estmulos especficos. Assim, caminhar pela sala, abrir uma porta, cantar uma cano, 
so comportamentos chamados operantes, j que no se pode estipular quais os estmulos 
que os causaram o comportamento conhecido por voluntrio, que opera sobre o meio, a 
fim de gerar conseqncias.
Reconhecendo que a grande maioria do comportamento humano  operante, Skinner 
dedicou-se ao seu estudo, procurando provar que a emisso de operantes podia ser 
controlada e procurando determinar quais as variveis que determinavam a freqncia da 
emisso.
Seus conhecidos estudos com animais (preferencialmente ratos e pombos) se realizam 
numa caixa apropriada, chamada caixa de Skinner.
Nestas caixas,  prova de som, h uma alavanca numa das paredes, e abaixo, um recipiente 
onde caem bolinhas de alimentos, se a alavanca for pressionada.
O pombo faminto  colocado na caixa e comea a dar voltas, bicando o cho, as paredes e, 
ocasionalmente, a alavanca.
Isto provoca o imediato aparecimento do gro de alimento, que ser rapidamente comido 
pelo pombo.
A observao do comportamento posterior do pombo nesta experincia e noutras 
subseqentes constatar um aumento na freqncia do comportamento de bicar a alavanca 
(isto , o pombo aprendeu a pressionar a alavanca para ganhar alimento).
Skinner adotou o termo reforo para designar qualquer evento que aumente a freqncia 
de um comportamento. No experimento relatado, o aparecimento do gro de alimento  o 
reforo para o comportamento de bicar a alavanca.
No ser humano, o muito bem do professor para uma resposta certa do aluno ser um 
reforador se isto fizer com que notas corretas surjam.
O olhar de aprovao ou o assobio que uma jovem recebe, ao vestir determinada roupa, 
pode se constituir num reforador para que vista mais vezes a mesma roupa ou o mesmo 
tipo de roupa.
O dinheiro  um reforador eficiente para muitos comportamentos humanos.
O que caracteriza o condicionamento operante , pois, que o reforo no ocorre 
simultaneamente ou precedendo a resposta (como no condicionamento clssico) mas sim 
aparece depois dela.
A resposta deve ser dada para que depois surja o retoro, que, por sua vez, torna mais 
provvel nova ocorrncia do comportamento. A resposta foi instrumental para que o 
reforo surgisse (eis a razo do nome instrumental).
A aprendizagem no se constitui numa substituio de estmulo (como no condicionamento 
clssico) mas sim numa modificao da freqncia da resposta.
A importncia deste tipo de aprendizagem no recai sobre os estmulos que causaram a 
resposta (estes devem ter existido, mas so desconhecidos) mas sim sobre os agentes 
reforadores, as conseqncias da resposta.
Na linguagem popular, reforo  uma recompensa. Esta acepo, entretanto, pode trazer 
confuso quando se procura entender a teoria de Skinner.
Para ele, reforo  qualquer estmulo cuja apresentao ou afastamento aumenta a 
probabilidade de uma resposta. 
Existem, assim, dois tipos de reforo: o reforo positivo e o reforo negativo.
Um reforo positivo  aquele estmulo cuja apresentao fortalece o comportamento 
(alimento, elogio, dinheiro).
Um reforo negativo  aquele estmulo cuja retirada fortalece a resposta (som desagradvel, 
censura, choque eltrico).
A criana que, ao levantar-se, escova os dentes, ter uma sensao de frescor na boca 
(reforo positivo) que aumentar a probabilidade de ocorrncia do comportamento de 
escovar os dentes.
Da mesma maneira, a criana que no escovar os dentes pela manh, poder sentir um 
gosto ruim na boca (reforo negativo), cuja retirada tambm lhe proporcionar prazer e 
aumentar a freqncia da resposta de escovar os dentes.
Uma vez que reforos so estmulos aversivos, o comportamento que os elimina  
reforado pela sua ausncia.
Um reforador pode ser aprendido (reforo condicionado) ou inato, (no-condicionado).
O alimento  reforador no-condicionado para qualquer animal faminto enquanto que o 
dinheiro s  reforador para quem j aprendeu o seu valor.
Os reforos (positivos ou negativos, condicionados ou no) podem ser administrados 
segundo programas diversos. Chama-se esquemas de reforo a estes programas ou maneiras 
de organizar o reforamento.
Quando se administra reforo sempre que a resposta desejada  emitida, o esquema  de 
reforamento contnuo.  o que acontece quando o rato, na caixa de Skinner, recebe 
alimento sempre que pressiona a alavanca.
O pesquisador pode, no entanto, regular o aparelho para que ele deixe cair o alimento 
apenas para algumas destas respostas do rato, neste caso, algumas vezes o comportamento 
de pressionar a alavanca  reforado e outras no. Trata-se, ento, de um esquema de 
reforamento parcial.
Um esquema de reforamento parcial pode estar ligado ao tempo, de tal forma que um 
reforo  dado em intervalos de, por exemplo, trs minutos.  o esquema de intervalo. 
Estabelecendo-se que, independentemente do nmero de respostas do rato, ele s obter o 
alimento na primeira resposta depois de passado o tempo estipulado, estar-se- usando um 
esquema de intervalo fixo.
E possvel, tambm, fazer com que o rato seja reforado num esquema de intervalo 
varivel, isto , suas respostas recebero reforo num tempo que ser, em mdia, por 
exemplo, de trs minutos, mas que pode ser ora de um, ora de dois ou de quatro minutos.
O esquema de reforo pode, tambm, estar associado ao nmero de respostas do sujeito. 
Quando o reforo  dado depois de um nmero X de respostas, chama-se o esquema de 
esquema de razo (por exemplo, um reforo para cada trs respostas, ou numa razo de 
1/3), que pode ser de razo fixa ou de razo varivel.
No primeiro caso, o reforo s aparece depois do nmero estabelecido de respostas ter sido 
emitido e, no segundo, aparece depois de nmeros variados de respostas que, em mdia, 
pode ser o mesmo do da razo fixa.
Esquemas de Reforo
Contnuo
Parcial :de Intervalo (tempo)        ?        Fixo, varivel
de Razo (nmero de respostas)        ?        Fixa, varivel
Na maioria das situaes de vida real dos seres humanos, os reforos seguem esquemas 
parciais e no contnuos.
Seriam exemplos de esquemas de reforo:  de razo fixa: o sistema de pagamento por 
unidade, numa indstria;  de intervalo fixo: o sistema de pagamento depois de um ms de 
trabalho;  de razo varivel: o elogio da professora, pelo bom trabalho do aluno, que 
surge depois de um nmero no previsvel de trabalhos bem feitos;  de intervalo varivel: 
o telefone  atendido, do outro lado da linha, depois de um perodo no constante de tempo 
em que ficamos  espera.
O esquema de reforamento contnuo  o que faz com que se aprenda uma resposta nova 
mais rapidamente, enquanto que os esquemas parciais e variveis so os que promovem a 
aprendizagem mais resistente  extino.
Extino  outro conceito bsico na teoria de Skinner.
Depois que um comportamento j foi aprendido pela associao com o reforo, como se 
poderia elimin-lo? Pela supresso pura e simples do reforo. O pombo deixar de bicar a 
alavanca se isto no lhe trouxer mais alimento.
Os estudos sobre condicionamento operante ou instrumental vieram lanar muita luz sobre 
o processo de aprendizagem humana.
Sem dvida nenhuma, a maioria dos nossos comportamentos visa  obteno de um 
reforo. Estamos sendo, conscientemente ou no, constantemente condicionados e, ao 
mesmo tempo, condicionando os nossos semelhantes. E, muitas vezes, condicionamos os 
outros a certos comportamentos que no julgamos adequados. Um exemplo  o da me que, 
mediante a gritaria insistente do filho pequeno e, para evitar seu prprio embarao, lhe d o 
chocolate ou brinquedo que no gostaria (por alguma razo) de dar.
Esta me est reforando um comportamento indesejvel: o berreiro do filho quando quer 
alguma coisa. Na prxima vez que ele desejar algo,  mais provvel que use este 
comportamento que j foi reforado, deixando exasperada a sua me.
A melhor soluo para o problema seria a de, inicialmente, no reforar tal comportamento, 
mas uma vez que ele j foi aprendido, a me pode promover sua extino, retirando 
imediatamente o reforo, isto , recusando-se a satisfazer as exigncias do seu filho 
mediante a gritaria. A me habilidosa far com que as guloseimas fiquem condicionadas ao 
bom comportamento, isto , sejam reforadores de outro tipo de conduta.
A idia central de toda a teoria de Skinner , sem dvida, a de que se conhecermos os 
princpios do comportamento, poderemos us-los a fim de control-lo de maneira mais 
eficiente e dirigi-lo para a consecuo do bem-estar individual e social. Ele afirma que, de 
qualquer maneira, intencionalmente ou no, o nosso comportamento j  controlado e bem 
melhor seria, ento, que pudssemos faz-lo de forma cientfica e para o bem.
Aprendizagem por Ensaio-e-Erro
Edward Lee Thorndike (1874-1949), psiclogo americano, foi quem primeiramente 
estudou este tipo de aprendizagem.
Seus experimentos eram feitos com animais, preferencialmente gatos.
Um gato faminto era colocado numa gaiola. Fora da gaiola,  vista do gato, ficava o 
alimento. O gato procurava sair da gaiola para obter o alimento, atravs de vrios ensaios 
ou tentativas. Ocasionalmente, ele tocava na tranca que abria a gaiola e o alimento era 
alcanado. O experimento era repetido durante alguns dias e o gato, ia, aos poucos, 
eliminando os ensaios infrutferos para sair da gaiola, coisa que conseguia em cada vez 
menos tempo, at que nenhum erro mais era cometido e o gato saia da gaiola com apenas 
um movimento preciso: o de abrir a tranca.
O ensaio-e-erro , portanto, um tipo de aprendizagem que se caracteriza por uma 
eliminao gradual dos ensaios ou tentativas que levam ao erro e  manuteno daqueles 
comportamentos que tiveram o efeito desejado.
Thorndike formulou, a partir de seus estudos, leis de aprendizagem, das quais destacam-se 
a lei do efeito e a lei do exerccio.
A primeira (lei do efeito), diz simplesmente que um ato  alterado pelas suas 
conseqncias. Assim, se um comportamento tem efeitos favorveis,  mantido; caso 
contrrio, eliminado.
A lei do exerccio afirma que a conexo entre estmulos e respostas  fortalecida pela 
repetio. Em outras palavras, a prtica, ou exerccio, permite que mais acertos e menos 
erros sejam cometidos resultado de um comportamento qualquer.
Muitas aprendizagens da vida cotidiana se do, por ensaio-e-erro, principalmente as de 
natureza motora.
Aprender a comer com colher, a andar de bicicleta, a danar, a pular corda, etc., so 
aprendizagens que envolvem o ensaio-e-erro.
Pode-se notar a semelhana existente entre este tipo de aprendizagem e o condicionamento 
instrumental. Alguns autores, porm, estabelecem uma diferena, afirmando que o ensaio-
e-erro  mais complexo, j que envolve a inteno do aprendiz na aquisio de algum efeito 
especfico.
Aprendizagem por Imitao ou Observao
Nem toda a nossa conduta  proveniente apenas de condicionamento ou ensaio-e-erro. Na 
realidade, muitas das nossas aprendizagens, na vida cotidiana, se fazem por observao 
direta da conduta de outras pessoas. Isto significa, em outras palavras, aprender pelo 
exemplo.
 uma forma mais rpida de aprender do que as anteriores, apesar de no exclu-las. A 
pessoa cuja conduta  imitada (modelo) , em geral, um dispensador de reforos ao 
comportamento que se aproxima do seu. Experimentadores provaram que os modelos mais 
passveis de ser imitados so os que tm poder de reforar (como pais, professores, 
amigos).
No necessariamente, porm, o reforo precisa ser dispensado diretamente ao aprendiz.
A aprendizagem observacional foi estudada atravs de experimentos, principalmente por 
Bandura e Walters.
Estes pesquisadores fizeram com que crianas assistissem a uma projeo cinematogrfica 
em que um adulto agredia um grande boneco inflvel.
Um grupo de crianas, aps esta cena, observava outra, em continuao, em que o adulto 
era reforado por esta conduta, atravs de elogios e guloseimas, recebidos de outro adulto. 
Este grupo foi chamado de grupo do modelo recompensado
Outro grupo de crianas assistia a mesma cena bsica mas com um final diferente, onde o 
modelo era repreendido e ameaado pela sua conduta agressiva (grupo do modelo 
punido).
Um terceiro grupo de crianas assistia somente  cena bsica. Depois da projeo, todas as 
crianas eram conduzidas, individualmente a uma sala onde haviam numerosos brinquedos, 
e entre eles, um boneco igual ao do filme.
O comportamento das crianas era observado e revelou-se diferente nos trs grupos. A 
freqncia de comportamentos agressivos em relao ao boneco foi maior no grupo do 
modelo recompensado, menor no grupo sem recompensa e nem punio e ainda mais 
baixa no grupo do modelo punido.
O estudo leva  concluso que as crianas do modelo recompensado foram indiretamente 
recompensadas pelo reforo dado ao modelo, assim como as do modelo punido foram 
indiretamente punidas (Mc Gurk, 1976, p. 59)
Outros estudos mostraram que a aprendizagem observacional no se limita  aquisio de 
agressividade. As preferncias estticas, os juzos morais e muitos outros comportamentos 
podem ser aprendidos pela exposio  conduta de modelos.
Fatores como a importncia do modelo, seu status percebido, sua atratividade, etc., so 
significativos na aprendizagem por imitao.
Em outras palavras, a imitao  seletiva. A criana pequena imita seus pais (modelos 
significativos para ela) e no pessoas estranhas; a dona de casa imita o penteado de uma 
amiga de prestgio e no o da empregada; o rapazinho imita o modo de falar, andar e vestir 
de seu grupo de amigos e no dos amigos de seu pai, etc.
A imitao  uma maneira mais eficiente de se obter segurana, aceitao e prestgio, assim 
como de adquirir habilidades motoras e sociais desejadas, do que tentativas variadas 
sujeitas a erro.
A aprendizagem por observao, entretanto, no , necessariamente, um processo 
intencional e nem se limita a situaes particulares. As oportunidades de aprender por 
observao so abundantes.
De maneira geral, nas situaes da vida cotidiana, as tendncias imitativas so 
recompensadas e a no imitao castigada.
A criana que come o que os outros comem, provavelmente ser recompensada pelo sabor 
e pela aprovao social; pode tambm verificar que andar ou patinar (condutas copiadas) 
so atividades agradveis em si, alm de aplaudidas.
Se, ao contrrio, houver o afastamento dos padres sociais de comportamento, a 
conseqncia ser a censura e a rejeio.
Nem sempre,  claro, se aprende, por imitao, comportamentos desejveis. Pode-se 
refletir, aqui, a respeito do possvel papel da televiso sobre o desenvolvimento 
comportamental da criana, particularmente sobre o desenvolvimento da conduta agressiva.
Aprendizagem por Discernimento ou insight
O termo insight ou discernimento  usado para designar uma mudana repentina no 
desempenho, proveniente da aprendizagem. Popularmente insight corresponde a estalo 
e  representado nas estrias em quadrinhos, por uma lmpada que se acende subitamente 
na cabea de quem aprende.
A pessoa, frente a um problema, parece no fazer grande progresso, inicialmente; de 
repente, parece ver a essncia da questo e seu desempenho salta de um baixo nvel de 
adequao para uma soluo completa ou quase completa do problema, sem eliminao 
gradual perceptvel de respostas incorretas.
A Histria est repleta de exemplos de grandes conceitos da cincia que nasceram do 
insight. Entre os mais conhecidos esto o de Arquimedes e o seu heureka ao descobrir 
o princpio do peso especfico dos corpos e o de Newton ao enunciar o princpio da 
gravidade.
A presena do discernimento numa situao de aprendizagem no exclui a atuao do 
condicionamento, do ensaio-e-erro ou imitao.
Realmente, no  possvel estimar quantas aprendizagens anteriores, de nvel menos 
complexo, estavam presentes nas concluses repentinas dos grandes cientistas.
Um exemplo familiar de insight  a aprendizagem da leitura. A criana passa alguns 
meses examinando letras, palavras, slabas e, de repente, estala, isto , descobre o 
princpio que relaciona vogais com consoantes, slabas entre si, etc., e  capaz de ler 
qualquer material.
Um dos primeiros estudos experimentais sobre o insight foi realizado por Kohler, usando 
macacos. Um macaco era posto numa jaula e fora dela havia uma fruta, que ele no podia 
alcanar. No cho da jaula, havia duas varas que, encaixadas, permitiriam ao animal 
alcanar a fruta. O macaco iniciava tentando usar ou uma ou outra vara. Depois de vrias 
tentativas, parecia enxergar repentinamente a soluo do problema, encaixava as duas 
varas e puxava a fruta para dentro da jaula.
Este e outros estudos sobre o discernimento, envolvendo outros animais e seres humanos, 
permitiram apontar alguns fatores facilitadores do surgimento do insight:  dispor-se, 
previamente, de todos os elementos componentes da soluo;  a presena de uma 
motivao razoavelmente forte para solucionar o problema, porm no excessiva;  um 
nvel de inteligncia algo favorecido.
A aprendizagem por discernimento apresenta vantagens sobre os outros tipos de 
aprendizagem.
Como j ficou experimentalmente estabelecido, a rapidez na aprendizagem  inversamente 
proporcional ao grau de esquecimento (Telford e Sawrey, 1973, p 273). Em outras palavras, 
quem aprende depressa, esquece devagar.
Sendo o insight uma aprendizagem sbita (apesar de decorrentes de aprendizagens 
anteriores)  o tipo de aprendizagem que proporciona melhor reteno.
Alm disso, o que se aprende por discernimento  prontamente transferido para outras 
situaes. Tendo compreendido o princpio geral, este poder ser usado em uma grande 
diversidade de problemas semelhantes.
Aprendizagem por Raciocnio
O raciocnio  considerado o tipo de aprendizagem mais complexo e abstrato, envolvendo 
todas as demais formas de aprendizagem e dependendo delas.
Embora seja verdadeira a afirmao de que o homem no  o nico animal que faz uso da 
razo, ele raciocina muito mais, ele pensa em termos muito mais abstratos e os resultados 
de sua ideao so muito mais importantes em sua vida do que na vida dos animais 
(Sawrey e Telford, 1976, p. 105).
O raciocnio  considerado um processo anlogo ao ensaio-e-erro, mas de natureza mental, 
isto , ensaiamos e erramos mentalmente, para s depois tentarmos resolver, efetivamente, 
os nossos problemas.
O processo de raciocinar inicia-se a partir de uma motivao, da necessidade de resoluo 
de um problema. Segue-se uma anlise para determinar em que consiste exatamente a 
dificuldade, e formulam-se hipteses, sugestes para a soluo.
As hipteses so estudadas, verifica-se quais as implicaes de cada uma delas. Uma delas 
parecer a mais adequada, e ento passar a haver a verificao da hiptese, isto , a 
aplicao do procedimento escolhido para solucionar o problema.
Esta seqncia  anloga  do mtodo cientfico, onde a ltima etapa corresponderia  
experimentao.
Parece ser possvel um treinamento para desenvolver a habilidade de raciocinar, apesar de 
que o assunto no foi, suficientemente investigado.
Algumas concluses derivadas de estudos experimentais (Sawrey e Telford, 1976, p. 108) 
do conta que:
 a memorizao de informaes no se constitui em empecilho, como se pensa 
popularmente, mas sim um requisito importante para a habilidade de raciocinar;
experincias passadas bem sucedidas com o ataque racional a um problema, tornam mais 
provvel o uso do raciocnio em novas situaes;
 a rigidez do pensamento  um fator que dificulta o raciocnio, ao passo que a 
flexibilidade facilita.
QUESTES
1. Por que aprender  to importante para o ser humano?
2. Qual a distino entre comportamento aprendido e instintivo? Comentar a respeito da 
validade da distino.
3. O que se entende por aprendizagem? Explicar a resposta.
4. Como se processa a aprendizagem por condicionamento simples? Ilustrar a resposta com 
um exemplo.
5. Explicar os processos de extino e de generalizao da resposta aprendida por 
condicionamento clssico.
6. O que  condicionamento operante? Em que aspectos difere do condicionamento 
simples?
7. Dar exemplos de aprendizagem por condicionamento operante que ilustrem cada um dos 
tipos de reforos.
8. Explicar e exemplificar os esquemas de reforo.
9. Caracterizar o processo de aprendizagem por ensaio-e-erro, incluindo as tais do efeito e 
exerccio e dar um exemplo deste tipo de aprendizagem no ser humano.
10. Comparar aprendizagem por ensaio-e-erro e por condicionamento operante em termos 
de semelhanas e diferenas.
11. O que caracteriza a aprendizagem por observao? Em que este tipo de aprendizagem 
pode ser comparado com o condicionamento operante e com o ensaio-e-erro? Dar um 
exemplo de aprendizagem por imitao no ser humano.
12. Como se processa a aprendizagem por insight? Quais os fatores que podem facilitar 
sua ocorrncia?
13. Estabelecer um paralelo entre o processo de aprendizagem por raciocnio e as etapas da 
investigao cientfica.
